Foi lançada no mês de abril a publicação Povos Indígenas de Pernambuco – Identidade, Diversidade e Conflito. Organizada pelo Antropólogo Renato Athias, do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Etnicidade, contém 11 capítulos sobre temas relacionados aos povos indígenas de Pernambuco, resultados de pesquisas realizadas nos últimos quatro anos.
O livro procura socializar, para um público mais amplo, as pesquisas desenvolvidas sobre os povos indígenas de Pernambuco, através do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (NEPE), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco. Os textos desenvolvidos nesta coletânea indicam claramente o compromisso de seus autores com os povos indígenas, e que os conhecimentos, resultados dessas pesquisas, são devolvidos de forma a contribuir com os processos de fortalecimento das identidades indígenas.
Os trabalhos aqui apresentados estão voltados para as temáticas da prática associativa na perspectiva do etnodesenvolvimento e no fortalecimento de uma identidade indígena; para o campo da saúde indígena, apresentando os modelos de atenção à saúde e as práticas tradicionais de cura; para área da educação escolar, visando um debate sobre a educação específica e diferenciada; sobre a participação indígena nos programas estabelecidos a partir de políticas públicas e na política local; para as questões que evocam um debate sobre a identidade étnica; e, por último, para o desenvolvimento de estudos sobre a produção musical da performance e da dança. Todos esses temas foram desenvolvidos numa perspectiva de produzir informações etnográficas para a construção da etnicidade, a necessidade de refletir sobre diversidade das organizações sociais e sobre as situações de conflito como pano de fundo na produção antropológica.
Estas pesquisas estão baseadas em etnografias com abordagens nos processos sociais e no engajamento dos pesquisadores com os povos indígenas. Os autores procuraram relatar a pesquisa antropológica não com base num único paradigma, mas ao contrário, como resultado de um debate entre os diversos paradigmas, tal como Roberto Cardoso de Oliveira assinalava sobre as "tradições etnográficas" que constituem interpretações de "realidades concretas".